A UNEAL Campus Sertão celebra 30 anos




    Em 1994, o município de Santana do Ipanema recebe a sua primeira Escola Superior, denominada, conforme Lei Estadual n.º 5.600, de 10 de janeiro do mesmo ano, de Escola Superior de Ciências Humanas, Físicas e Biológicas do Sertão - ESSER, para fins de ensino, pesquisa e extensão, vinculada e mantida pela Fundação Educacional do Agreste Alagoano - FUNEC, sediada em Arapiraca. Os cursos de Zootecnia e Pedagogia tiveram autorização para funcionamento através do Decreto de 26 de abril de 1995, e pelo Parecer do Conselho Estadual de Ensino n.º 104/94, de 8 de novembro de 1994.

    A trajetória da ESSER e sua integração à UNEAL ocorreu da seguinte forma:

Origem da Mantenedora: A história tem início em 1970 com a criação da Fundação Educacional do Agreste Alagoano (FUNEC), sediada em Arapiraca.

Criação da ESSER: A unidade de Santana do Ipanema foi fundada em com a denominação original de ESSER, visando expandir o ensino superior para o sertão alagoano.

Estadualização: Em 12 de janeiro de 1990, a FUNEC foi estadualizada. No ano de 1995, a fundação passou a se chamar FUNESA (Fundação Universidade Estadual de Alagoas), absorvendo a ESSER.

Consolidação na UNEAL: Em 2006, a FUNESA foi finalmente transformada na Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL). A partir de então, a ESSER foi integrada como um campus oficial da universidade pública.

Fonte: Fernando Fotografias, 1997

    Essa é a parte legal. Porém, o que pouca gente sabe é sobre o caminho trilhado pelas lideranças envolvidas até a concretização do sonho de ter uma faculdade no Sertão. Com vocação natural para agropecuária, a região se desenvolveu ancorada nos cultivares de feijão, milho, algodão e na criação de bovinos e caprinos, seguindo os conhecimentos ancestrais dos primeiros sertanistas. Contudo, as particularidades de convivência com semiárido exigem conhecimento, aprimoramento e novas tecnologias para a maximização dos resultados.

    Em 1994, o Governador do Estado era o santanense Geraldo Bulhões que estava concluindo seu mandato. O prefeito da cidade era Nenoí Pinto, entusiasta da iniciativa, que providenciou a infraestrutura. Atuando nos bastidores estava o santanense Manoel Augusto Azevedo Santos que há anos havia exercido os cargos de Delegado Federal do MEC em Alagoas, Membro do Conselho Estadual de Educação e Secretário Estadual de Educação. Inclusive, como já havia sido professor universitário em Recife, Brasília e Maceió, foi nomeado o primeiro diretor da faculdade recém-instalada.

    A implantação da ESSER não apenas trouxe cursos, professores e alunos. Trouxe esperança. Trouxe a certeza de que o conhecimento é capaz de transformar a realidade de uma região marcada pela seca, mas também pela sua capacidade de trabalho.

    A cada turma formada, multiplicaram-se sementes de mudança: jovens que antes precisavam migrar para Maceió ou Recife passaram a ter acesso ao ensino superior sem abandonar suas raízes. A Zootecnia fortaleceu a agropecuária sertaneja, introduzindo técnicas modernas de manejo e produção, enquanto a Pedagogia formou educadores comprometidos em levar às salas de aula uma visão crítica e transformadora.

    O Sertão, que sempre foi visto como lugar de resistência, passou a ser também lugar de ciência. A ESSER tornou-se símbolo de que o semiárido não é sinônimo de atraso, mas de potencial. A cada pesquisa desenvolvida, a cada extensão realizada junto às comunidades rurais, a faculdade reafirmava que o futuro do Sertão se constrói com estudo, inovação e coragem.

    Hoje, ao olhar para trás, percebe-se que aquele gesto de 1994 foi mais do que a criação de uma escola: foi a abertura de um caminho para que o sertanejo pudesse ser protagonista do próprio desenvolvimento. A educação, como água que brota do solo árido, segue irrigando sonhos e fortalecendo a identidade de um povo que nunca desistiu de aprender e prosperar.

    Que os jovens sertanejos nunca esqueçam: a educação é a chave que abre portas até mesmo nos muros mais altos do semiárido. Se o Sertão aprendeu a florescer em meio à seca, também pode florescer em conhecimento e oportunidades.

    Cada sala de aula é um oásis de possibilidades, cada livro é uma semente de futuro. Que a coragem dos que fundaram a ESSER inspire novas gerações a acreditar que o Sertão não é apenas lugar de sobrevivência, mas de prosperidade e inovação. O amanhã dos sertanejos será escrito com lápis e cadernos, mas também com sonhos e esperança. É na força da educação que esse futuro se construirá.


    Por ocasião da celebração dos 30 anos, trazemos matéria publicada em maio de 1995, do "Jornal Sertanejo", que registrou o momento histórico da inauguração da faculdade pelo  vice-governador Manoel Gomes de Barros. 

Nenhuma conquista, por si só, garante um futuro tranquilo. "É necessário se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade", disse a psiquiatra alagoana Nise da Silveira. 










Maio, 2026

Comentários

  1. Eu Prof. Carlindo Lira, Graduado e Pós-Graduado em Letras, Língua Portuguesa/Inglesa aprovado em Concurso Público de 2003, chego a ESSER em 2004 com a Missão de Professar as Letras no Sertão. Realizei Projetos com alunos(as) como o LEITURA VAI À PRAÇA e a POESIA ESTÁ NA PRAÇA em Santana do Ipanema, bem como levei escritores Santanenses e Sertanejos para Realizar Palestras na ESSER, aproximando Escritores(as) e alunos(as) dentro da Universidade.


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    1. Parabéns pela iniciativas. Esse é o caminho: a Universidade integrada à sociedade.

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  2. Resgate do funcionamento das Escolas de Niveis Superior em Santana do Ipanema, um marco no desenvolvimento da região sertaneja. Educação é a propulsão desenvolvimentista..
    Parabéns, João de Liô , pelo registro!

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