Fruta de Palma, Oscar Silva
Os cactos que infestam as caatingas sertanejas são, no geral, marcos de luta contra as canículas nordestinas. Depois do juazeiro, somente o cacto resiste, impávido e soberbo, ao impiedoso sol de nosso sertão. Viajando no estio, sente-se de logo a tristeza do ambiente, ao deixar a chamada Zona da Mata: salta-nos à vista aquela porção de mandacarus, facheiros, alastrados e coroas-de-frade que vicejam entre angicos, catingueiras, marmeleiros ou bonomes crestados, depenados, esqueléticos e cinzentos, por não terem suportado a desumanidade de um calor esturricante. Enquanto certas árvores imitam pessoas resignadas pela humilhação, face à superioridade das forças adversas, o cacto se assemelha perfeitamente ao herói cuja bravura não arrefece na luta contra o mais feroz de todos os inimigos. E o sertanejo parece ver no cacto um legítimo irmão de lutas contra o flagelo das secas. O homem do sertão ama, como se fossem seres animados, o xiquexique, o facheiro, o quipá, o alastrado e a coro...




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